sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Onde está a Eternidade em você?



Vivemos em uma sociedade líquida, que alimenta a cultura da imagem dentro e fora das redes sociais, no qual implica não apenas na sua aparência, mas no seu estilo de vida, onde existe mais importância no que o outro vê em você ou naquilo você pode pagar do que na sua alma.  

Somos uma geração que vive em função de alimentar o ego, que busca a autoglorificação seja através de selfies perfeitas ou através do excesso de críticas a elas, que busca se afirmar por aquilo que desejam ser, sem descobrirem quem realmente são, que considera mais o que as pessoas pensam sobre ela do que aquilo que Senhor diz a seu respeito.

Somos uma geração sem referencias relevantes, que cria suas raízes na instabilidade de tudo que não é eterno. Uma geração insegura gerada por relacionamentos líquidos e vulneráveis, que busca alimentar os vazios da sua alma carente, vaidosa e solitária com uma vida desregrada e ocupada para tudo que a faz ficar a sós com Deus.

Não há mérito nenhum em perceber a doença da sociedade, estamos inseridas nela, se não estamos lutando contra estamos a favor, logo, estamos tão doentes quanto. Mas a nossa luta não é contra a beleza da vida, até porque quem não gosta de estar bonita e viver momentos bonitos? Também não é pecado postar coisas boas, pelo contrário, vivemos uma nova vida a partir das boas novas que recebemos e temos o dever de compartilhá-la sempre.

A nossa luta deve ser contra a valorização de tudo que não é eterno e desvalorização da eternidade. Cuidar da aparência, gostar de se vestir bem ou ter um corpo bonito não é pecado, inclusive sabemos que o nosso corpo é tempo do Espirito Santo, por isso devemos cuidá-lo da melhor forma possível, mas supervalorizar o exterior na maioria das vezes me faz esquecer que mais importante do que roupas, corpo e cabelo é o meu CORAÇÃO, mais precioso do que aquilo que pessoas veem é o que Cristo vê em mim no secreto.

A imagem roubou o lugar da nossa alma, aquilo que você mostra passou a ter mais relevância do que aquilo que você é. A revolução para esta geração não está na luta contra a maquiagem da imagem, mas na luta para trazer valor aquilo que realmente tem valor. Mostrar que apesar de conseguirmos esconder muitas vezes o nosso coração com uma maquiagem visível às pessoas, existe um Deus que atento ao seu interior, que se importa com aquela dor que ninguém ver, que enxerga o choro do seu coração, conhece suas inseguranças, os seus traumas. Um Deus que está totalmente disponível a tornar nova todas as coisas e isto não significa que a partir dai você não terá mais dias ruins, mas que agora existe Alguém que torna seu fardo leve, que te carrega no colo quando seus pés se cansam, que existe um Pai Amoroso que permite que as suas dificuldades produzam glória eterna e isto tem uma relevância muito maior que qualquer dificuldade.

Somente árvores com raízes bem firmadas conseguem se manter de pé quando surgem as tempestades, quando as criticas e os julgamentos chegam, quando inevitavelmente nos sentimos sozinhas e rejeitada por pessoas. Somente quando temos claro quem de fato somos conseguimos persistir ainda que venhamos a tropeçar. A identidade de filha faz com que as nossas raízes se nutram daquilo que produz eternidade em nós, faz com que a voz do Senhor seja a única capaz de dizer quem de fato você é. A identidade de filha te permite ser a continuidade da mentalidade de Jesus aqui na terra, permite que o nosso exterior seja reflexo daquilo que Ele tem produzido dentro. Não importa como os dias são lá fora, porque tudo começa aqui dentro! ASSUMA SEU PAPEL DE FILHA! Não importa o que você fez, não importa como está o seu coração, Ele te quer assim. Somente Ele pode trazer a sua real identidade, só o Pai das luzes pode iluminar a escuridão dos seus pensamentos e trazer cura para o o vazio da sua alma. As impossibilidades da vida são quebradas pelo Deus do impossível, permita começar a viver acima das probabilidades hoje.


“Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno”.

2 Coríntios 4:16-18


Larissa F. Couto

domingo, 1 de outubro de 2017

Quando a gratidão anula meu senso de recompensa.

Foto: Gabriela Muller

Desde semana passada queria falar sobre gratidão, afinal hoje é meu aniversário e tenho muitos motivos para agradecer, mas aconteceram algumas coisas que me incomodaram – ainda me incomodam enquanto escrevo. Tenho orado insistentemente para que meu coração não seja dominado por nada que não seja gratidão, ainda que as situações não tenham sido como eu esperava, que eu não tenha sido tratada como desejava. É impressionante como basta acontecer algo ruim para sucumbir todas as coisas boas que temos vivido.

Em meio a tantas orações tenho descoberto que sempre serei pior do que penso que sou, mas que o amor de Deus é superior e encobre todo erro, não para acobertá-los, mas porque Ele também gosta de nos trata no secreto. Tenho aprendido que a gratidão vem de um coração que reconhece a sua posição de pecador, que sabe sua posição diante de um Deus Santo e perfeito, por isso, reconhece não ser merecedor de nada tanto de Deus como das pessoas. Como é bom saber que a graça de Deus é tamanha que me torna apta a ser filha mesmo quando insisto em esquecer disto.

Como é difícil abrir mão do nosso senso de recompensa. Aplicar na prática o fruto da graça pagando o mal com bem, dar espaço para que Cristo seja revelado no lugar do meu ego, daquilo que acredito ser meu direito e entender que tudo que eu preciso receber – não que eu mereça - já foi conquistado na cruz e como se não bastasse até hoje recebo demonstrações desse amor e cuidado no dia a dia.

Definitivamente a salvação precisa ser suficiente para que eu ofereça graça independente das circunstancias ou pessoas. A gratidão vem de um coração humilhado por entender que não há mérito nenhum em fazer o bem, tudo que há de bom em nós ou as coisas boas que fazemos não veio de nós, mas dEle, nós recebemos para oferecer e essa humildade se revelará diretamente na forma como lidamos com o erro dos outros. PERDOE! Não basta ouvir, ler, saber ou crer na graça do Senhor se não a vivemos a ponto de permitirmos que ela mude a forma de nos relacionarmos com Deus e com as pessoas que nos cercam.

Por incrível que pareça, eu termino esse texto com meu coração totalmente grato porque Ele se revelou na minha fraqueza e dor enquanto escrevia, porque Ele não quis só a minha gratidão pelo que Ele já fez em mim durante esses 25 anos, mas porque Ele queria fazer algo hoje e Ele fez. Meu coração está grato porque Ele não me poupa das dificuldades, são elas que me fazem olhar para cima e, por isso, Ele se aperfeiçoa em mim em cada uma delas. Quanto cuidado, quando amor! Sou totalmente grata por tudo que já vivi até hoje e essa gratidão instiga meu coração a ter fé por tudo que Ele ainda irá fazer.

Pai, que todos os meus dias sejam Teus, que meu coração seja gracioso ao lidar com as divergências dos relacionamentos, que eu aprenda em Ti a ter um coração firme nos Tuas promessas imutáveis, independente das instabilidades da vida. Me ensine a viver cada dia, para que eu possa alcança um coração sábio (Sl 90:12). Obrigada por me mostrar mais uma vez que a Tua graça é suficiente para todas as áreas da minha vida. Me ensine a entender e aplicar a GRAÇA na forma de viver. Preencha os espaços que o meu ego ocupou e se revele a mim!!



Larissa F. Couto

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Sobre ser esposa de pastor.



Muitas pessoas pediram para que eu escrevesse sobre ser esposa de pastor. Esse texto expressa as minhas experiências, situações que percebi durante esses 3 anos casada com um pastor. Provavelmente cada esposa tem um ponto a acrescentar ou retirar, devido à realidade que cada uma viveu. Tentei escrever de forma geral, não me aprofundei em nenhum ponto, apenas para mostrar a beleza, responsabilidade e a dificuldade que ser esposa de um pastor traz.

Ser esposa de pastor não me torna pastora. Ser esposa de pastor não me faz ter uma boa voz pra cantar (podia), não me faz tocar instrumentos e também não me torna apta a cuidar de crianças no kids (não tenho jeito com crianças), embora seja a expectativa da maioria. Sou casada com um pastor e não fiz seminário, isto não me torna menos espiritual que nenhuma outra esposa de pastor que tenha feito. Ser esposa de pastor não me torna uma grande teóloga.

Ser esposa de pastor não significa que estou casada com um santo, ele continua sendo pecador tanto quanto qualquer outro, logo, ser esposa de pastor não me torna mais santa que ninguém. Passamos por crises pessoais, em nosso casamento como qualquer outro casal, aprendemos em meio a tudo isso buscar refugio e auxilio no Senhor, mas em alguns aspectos ainda estamos em processo de aprendizado e permaneceremos assim até o fim.

Ser esposa de pastor é amar a segunda-feira. É ter uma rotina atípica, principalmente se você trabalha em outra área também. É não ter final de semana ou feriado de descanso. É ter a casa aberta para todos em qualquer horário, exercer a hospitalidade com pessoas que você não conhece, e talvez nem mesmo seu marido conheça, mas que precisam de lugar para ficar, um almoço ou jantar.

É lidar com as criticas do ministério, é aprender a ser crítica. É ser inegociável com os valores dados pelo Senhor, é descobrir na prática que o nosso chamado nos capacita a sermos e fazermos coisas inimagináveis e improváveis apenas pelo poder da graça. É buscar visão espiritual para entender a necessidade das pessoas, o coração delas, e ser verdadeiramente efetiva nas conversas e relacionamentos.

Ser esposa de pastor é ter o privilegio de cuidar daquele que cuida de muitos, ter a responsabilidade de pastorear o coração daquele que pastoreia a igreja. É descobrir em Deus como não se tornar resmungona devido as inúmeras ausências e como lidar com elas.

É encontrar estratégias para auxiliar no ministério sem comandar (isso é um desafio pra uma mandona como eu). É valorizar a liderança dele como homem do Senhor, sem deixa-lo esquecer que ele só é boca do Senhor se os joelhos estiverem dobrados. É dobrar os joelhos diariamente. É batalhar batalhas espirituais que não são nossas. É ter discernimento para saber que satanás tentará sempre me usar para atrapalhar o ministério que Deus tem nos dado. É se revestir de oração. É saber se resguardar, aprender a ouvir e descobrir que nossas dores são tratadas enquanto cuidamos das dores do outro.

Ser esposa de pastor é ter a responsabilidade de cuidar para que a nossa casa seja lugar de refúgio e descanso, entendendo que isto refletirá notoriamente no ministério. É viver o ministério de forma intensa. É descobrir que podemos viver o ministério sem necessariamente vivermos o Reino, se nosso coração estiver apenas no fazer e não no Propósito.

É saber que a igreja vai sugar seu marido e muitas vezes nos sentiremos negligentes em reservamos um tempo para nós como casal enquanto pessoas precisam dele, mas devemos nos lembrar e lembrar às pessoas que nosso principal ministério é a nossa família. Ser esposa de pastor é ter a sabedoria para auxilia-lo a priorizar o que é prioridade, porque a rotina do ministério tentará ocupar um lugar além do que lhe é devido.

Ser esposa de pastor é vivenciar na prática o cuidado do Deus provedor, provando do suprimento  físico, financeiro e espiritual vindos unicamente do Senhor. É aprender que a nossa raiz é no céu, é criar raízes eternas através de relacionamentos. É estar disponível para viver os sonhos de Deus de forma intensa e exclusiva. É aprender a amar a solitude. É apesar de muitas vezes vivermos a solitude, sermos privilegiadas por receber um olhar especial do Senhor, uma vez que decidimos cuidar de outros. É receber mimos, abraços e sorrisos, ser sustentada pela oração de muitos, é abençoar e ser abençoada por muitos.

Larissa Couto